Como o mundo vai vestir o paletó de madeira

OK, o texto está corrido, cheio de furos, mas não pretendo fazer nada melhor do que isso, considerando que no máximo vou levar um segundo lugar.

Antes, o Jabá obrigatório:

“O Gilberto Knuttz, do Uêba – Os Melhores Links e Cybervida – Realidade Digital, lançou um meme-concurso-jabá, com o auxílio do Daniel Bender: Acabe com o mundo e concorra à um PowerBall.”.

Agora, se você quiser entender porque meu texto saiu tão sem-vergonha, os motivos se encontram no post de ontem, onde tive a certeza que levarei no máximo segundo lugar. Como o texto já tava pela metade, achei sacanagem não terminar.

Enfim, é só clicar em ‘Leia o resto desse post’. Leitores do feed, que são pessoas super legais e inteligentes, podem simplesmente continuar lendo o texto. :P

Tudo começa em Fevereiro de 2011. Após 10 anos de aguentar todo tipo de estupidez por parte de seus usuários, um supervisor de TI resolve colocar uma antiga teoria em prática: Se atividade cerebral é constituído de impulsos elétricos, pressupõe-se que seria possível ‘medir’ a quantidade desses impulsos e ‘manipular’ ordens e informações que seriam passados através desses impulsos. Assim, ele acaba criando o pior e mais devastador vírus já visto: um script simples, adaptável, e difícil de ser detectado, que envia pequenas mensagens subliminares a todas as pessoas que utilizam computadores. Depois de ‘implantado’ no cérebro, esse script verificava quem possuia QI abaixo de 110 pontos, e definia uma ordem simples.

E, assim, em 31 de Dezembro de 2011, após meses de exposição ao vírus, ocorre o que seria chamado de ‘A grande marcha Lemming’. Milhões, bilhões de pessoas correm para precípios, arranha-céus, e praias, e começam um inexplicável ritual de suídicio coletivo. E, no alvorecer de 2012, o mundo está livre dos usuários.

Embora a idéia não seja bem aceita por alguns no começo (”Como assim, acabaram os paraquedistas do Adsense???”) o consenso geral é que essa foi uma medida necessária. Com a internet cobrindo notícias de todo o mundo, os mais inteligentes (vou chamá-los a partir de agora de ‘nerds’) começam a se agrupar em volta do Vale do Silício, e a definir os novos rumos da sociedade. Haviam sobrado pessoas o suficiente para manter uma boa comunidade, com toda a energia elétrica e acesso à internet que pudesse ser necessário. Ah, e havia comida também!

Sessenta anos depois, as coisas não vão tão bem assim. Embora no começo a nação nérdica parecesse ser utópica, bastou uma geração para os problemas aparecerem: A taxa de natalidade havia caído drasticamente, e muitos da nova geração só conheciam sexo virtual, mesmo com 30 anos de vida. Anos e anos de pouca atividade física e comida vagabunda tornaram os nerds preguiçosos, hipertensos e enormes. Com a morte de muitos nerds mais velhos, algumas tarefas simples de antigamente, como agricultura, costura de roupas e manufatura de remédios eram conhecimentos quase perdidos. Mesmo a língua falada estava prestes a desaparecer, já que a maioria preferia conversar via computador.

Desesperados em busca de recursos naturais que pudessem utilizar, os nerds acabam utilizando a última versão do Google Earth para vasculhar todos os cantos do planeta, e fazem uma descoberta assustadora: Haviam comunidades de seres humanos normais (prontamente chamados de ‘noobs’) agrupados na América do Sul. Analisando todos os dados com Google Past Earth, os nerds descobriram que aparentemente o vírus não havia ‘infectado’ aqueles que não tiveram acesso a computadores, deixando-os vivos após a ‘grande marcha Lemming’. Percebendo que estavam sós em um mundo com aparelhos complicados e sem ninguém para lhes ajudar, os ‘noobs’ fizeram a coisa mais óbvia: juntaram-se em um único ponto que tivesse recursos em abundância, e começaram a procriar. Com o tempo, acabaram regredindo a um estado quase tribal.

Como os noobs não tinham muita dificuldade para ter filhos, a razão era de 10 noobs para cada nerd. Analisando a situação, e percebendo que possuiam armas e equipamentos melhores, os nerds concluíram que o melhor seria utilizar os noobs como escravos para as tarefas mais simples. Infelizmente, os noobs estavam em maior número E possuiam uma boa capacidade de luta.

(vou poupar-lhes da parte chata do combate. Basta dizer que, mesmo com armamento antigo, os noobs aproveitaram a vantagem númerica e deram um cacete legal nos nerds. Ah, e a guerra durou uns 20 anos)

Percebendo que a guerra estava perdida, os nerds partiram para a fuga: utilizando a versão 20.5 do Second Life, e o mesmo conceito que permitiu a criação do vírus original, eles desenvolveram um sistema que permitiria ‘transferir’ todos os registros e memórias de cada pessoa para seu respectivo avatar no jogo. Utilizando seus recursos finais, os nerds desenvolveram um sistema à ‘prova de falhas’ que garantiria autonomia de vida para o jogo de pelo menos mil anos. E iniciaram assim sua debandada para o mundo virtual.

Os noobs, utilizando a tecnologia deixada nos campos de batalha pelos nerds, começaram a se expandir para outros territórios, gerando um crescimento tecnológico jamais visto. Sem conhecimento de preservação da natureza, em menos de trinta anos a humanidade tornou-se como uma nuvem de gafanhotos, utilizando tudo o que podiam, partindo para outras terras quando os recursos naturais acabavam. Em pouco tempo, não havia mais comida, e a sociedade tribal deu lugar à selvageria e ao canibalismo.

E, em mais 100 anos, a Terra está em completo silêncio. A não ser por um pequeno barulho irritante próximo à sede da antiga Google, onde é possível ouvir um computador ligado a uma fonte de energia que ainda deve durar em torno de 900 anos. E, dentro do mundo virtual, os nerds vivem uma vida em que não crescem, não morrem, não se reproduzem, não comem, não sentem. E rezam fervorosamente pelo dia em que alguém aparecerá para desligar o sistema de energia que mantém o mundo deles em funcionamento. Talvez um usuário enviado pelos céus surja e desligue o computador porque ‘não tinha ninguém usando, então achei que podia desligar’. Ao menos, é o que eles esperam.

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8 Comentários

  1. Participantes do Meme do Fim do Mundo, até o momento Says:

    [...] GuraveHaato desu ka?: Como o mundo vai vestir o paletó de madeira [...]

  2. Igor Says:

    Caraca!!! Isaac Asimov total esse post!…

  3. Participantes do Meme do final dos tempo. (lista final) Says:

    [...] GuraveHaato desu ka?: Como o mundo vai vestir o paletó de madeira [...]

  4. O Vencedor da Powerball Says:

    [...] GuraveHaato desu ka?: Como o mundo vai vestir o paletó de madeira [...]

  5. Escolhido o grande destruidor do mundo Says:

    [...] o japonês esquisito GraveHeart e seu genocídio eugenista surreal lembrou um daqueles livros de ficção científica ruins que a gente ri das situações absurdas em [...]

  6. Guilherme Nascimento Valadares Says:

    Cara, no iníco achei meio bobo, mas depois a história pegou embalo e o final foi nota dez.

    Adorei quando os nerds acham os normais na américa do sul e prontamente os denominam: noobs. hahahahhahaha

    Ótimo texto!

    Abração

  7. leonardo Says:

    tive que deixar esse comentário pra dizer que me caguei de rir com esse texto! muito bom!!!! huahuahua

  8. Nagzoks Says:

    Gostei muito.. conseguir ler até o fim, e isso é raro hoje em dia. Parabens.