Dossiê: Tudo o que você (não) queria saber sobre Segata Sanshiro

Graveheart setembro 23, 2008

sega_11 Semanas atrás fui apresentado à história de Segata Sanshiro e não pude deixar de me apaixonar pelo personagem e pela história que o cerca. Segata Sanshiro não é (apenas) mais uma bizarrice clássica do Japão, é um case de sucesso a ser estudado e reutilizado. Na verdade, arrisco dizer, toda a história que cerca Segata poderia ser um dos primeiros casos de marketing viral e de como um simples personagem bem bolado pode salvar um produto!

Antes, um pouco de história: Em 1997, a Sega estava com um abacaxi nas mãos. Embora o Sega Saturn fosse uma máquina MUITO superior aos rivais Playstation 1 e Nintendo 64, uma série de decisões erradas com relação ao hardware fizeram com que o desenvolvimento de jogos fosse um processo complicado, exigindo até mesmo que partes do mesmo fossem quase todas reescritas a partir do zero. (mais alguém leu isso e lembrou do PS3?). Some a isso que o Saturn era essencialmente um console muito bom para jogos 2D numa época em que só se falava em 3D, e é possível imaginar o tamanho da encrenca que a Sega tinha nas mãos: Jogos fracos, poucos ports de qualidade, e pouco apelo ao público que queria novidades…. Para ter uma idéia, o Saturn já era passado nas Américas e na Europa. Restava apenas o mercado japonês, e a coisa não ia muito bem.

E é aí que entra Segata Sanshiro: do mesmo jeito que o Baixinho da Cerveja aqui Segata Treinandono Brasil durante a década de 80, Segata foi criado como uma campanha de marketing para o Sega Saturn e conseguiu, de forma surpreendente, tornar-se tão ou mais famoso que o próprio produto que ele anunciava. Graças a comerciais muito bem humorados e ao carisma de Hiroshi Fujioka (que, antes de Segata, já era famoso por interpretar o primeiro Kamen Rider), o personagem virou um sucesso, e por cerca de um ano praticamente carregou o console NAS COSTAS, mantendo-o vivo e com parcela considerável no mercado.

Como entender esse sucesso? Primeiramente, o nome: Segata Sanshiro é derivado de Sugata Sanshiro, um famoso lutador de judô que também foi personagem (e título) do primeiro filme de Akira Kurosawa, mostrado como alguém que era obstinado na arte do Judô e do conhecimento pessoal. Mais do que isso, Segata Sanshiro é um trocadilho dos bons: Com um pouco de esforço, o nome pode ser entendido como “Sega Saturn Shirô!”, que tem não um, mas DOIS sentidos: Shirô, nessa frase podia tanto significar “Jogue” (no caso, Jogue Sega Saturn), quanto “Branco”, uma das cores do Sega Saturn no Japão. (Nota Pessoal: na boa, eu pegava o cara que teve a idéia desse nome e transformava em vice-presidente ou coisa do tipo…).

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Michiko e Hatchin - Anime ambientado…. no Brasil?????

Graveheart setembro 7, 2008

view video[bb]
(link pro povo dos feeds)

Confesso que a falta de tempo e a falta de séries originais me afastaram um pouco dos animes, mantendo uma lista muito pequena (e cada vez menor) de coisas para assistir. Mas mantenho sempre um olho para a lista de lançamentos no Japão, atrás de um novo Haruhi ou Planetes que possa chamar minha atenção a ponto de me fazer baixar viajar toda semana para o Japão atrás de novos episódios.

Michiko to Hatchin é um desses animes que entrou na minha lista de downloads compras logo na primeira olhada no trailer. Realizado pelo estúdio Manglobe, os mesmos criadores de Cowboy Bebop[bb] e Samurai Champloo[bb], Michiko to Hatchin chamou a atenção por um motivo muito claro (e, se você ainda não percebeu, dê uma pausa nos 00:34 do trailer acima): sim, isso mesmo, a série é baseada no Brasil( ou “um país cheio de luz, em um ponto onde a lei não chega”… ), mais especificamente em uma favela típica do Rio de Janeiro! Sim, isso mesmo, Michiko to Hatchin é um anime com ambientação e personagens inspirados no Brasil!

Aqui, cabe um rápido parênteses: quando eu ainda trabalhava com roteiros e discutia com leitores, editores, fãs e afins sobre mangás brasileiros, sempre percebi um grande preconceito com relação ao próprio país, como se os temas, conceitos, personagens e ritmos do país não pudssem gerar uma história boa o ’suficiente’ para ser um anime. E o que temos em Michiko to Hatchin? Exato: Japoneses pegaram tudo o que essa gente dizia que não era legal, e criaram uma série que promete fazer sucesso pelo mundo (basta ver as obras anteriores do estúdio Mangloge pra ter uma idéia da qualidade técnica dos animes que eles criam). Um tapão na cara desses fãs preconceituosos….

Pessoalmente, acho que o Brasil tem muito mais a oferecer culturalmente do que favelas, bandidos e multas gostosas em trajes sumários, mas basta lembrar que esse é justamente a imagem que formou lá fora, graças à grande leva de filmes ‘cabeça’ que trazem justamente… favelas, bandidos e mulatas gostosas. Assim, nada de errado em ver os japoneses retratando o Brasil dessa forma: qual foi a última vez que retratamos corretamente um ‘gringo’ em uma produção nacional?

E se a ambientação, o fusquinha escrito ‘POLÍCIA’ no trailer e a mulata gostosa não são suficientes para mostrar Michiko to Hatchin como um anime inspirado no Brasil, dê uma reparada no final do trailer: Sim, no logo está escrito Michiko e Hatchin, não Michiko to Hatchin (em japonês) ou Michito & Hatchin (padrão internacional). No site oficial, além de outras informações, você também encontra o primeiro trailer, com uma música que é…. um sambinha! :)

Spore - Fotos e Vídeos do jogo

Graveheart setembro 5, 2008

Depois de semanas babando no Criador de Criaturas do Spore[bb], eis que finalmente consigo colocar as mãos no jogo que promete (ênfase no promete) revolucionar o mercado de games: SPORE[bb]!

Infelizmente, não consegui o jogo na faixa (NÉ?), por isso fui tentar a sorte na FNAC na hora do almoço (e, pelo movimento na área de games, não fui o único a ter essa idéia) e consegui sair de lá com minha cópia original e em português do jogo (um detalhe engraçado: na hora de pagar, a moça veio perguntar se esse tal de ‘Spore‘  era assim tão legal, já que um monte de gente estava comprando! :P ). Como já estava com o notebook na mochila, foi só tirar o jogo da caixa, abrir o drive de DVD, tirar o anime do Batman[bb] que estava perdido lá, colocar o DVD do Spore, e instalar o jogo. Inicialmente pensei que o jogo ia reclamar da configuração do meu notebook[bb], mas mesmo sendo uma máquina simples, o jogo entrou normalmente (com todas as opções de vídeo no mínimo, mas é a vida).

E, nerd gamer que sou, não pude deixar de documentar todo o processo, com fotos e vídeos do unboxing de Spore. No vídeo, vemos uma criatura sendo criada rapidamente, alguns detalhes das telas de opções, o vídeo inicial, e poucos segundos do começo do jogo. É pouco, eu sei, mas já dá pra matar a curiosidade. E não se enganem, um review mais completo do jogo sai em breve! :)

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Tsebayoth - A idéia foi boa, a execução é que pegou

Graveheart agosto 21, 2008

Tsebayoth é o tipo de iniciativa que até poderia ser interessante, mas que foi tão mal executada, tão mal planejada, tão recheada de clichês, lugares-comuns e plágios, que na verdade virou um grande motivo de chacota para qualquer um que se preste a pensar um pouco enquanto assiste o vídeo. Na verdade, em um primeiro momento eu realmente imaginei que se tratava de alguma brincadeira, até descobrir que o negócio não só é sério, como realmente será lançado!

Mas… como fica quando uma série mostrando um super-herói[bb] católico apropria-se de idéias, personagens e até músicas pertencentes a terceiros? O “não furtarás” não rola nessas horas? Foi pensando nisso que resolvi comentar rapidamente sobre o achado, mostrar algumas (cof, cof) ‘referências’, dar uma opinião rápida, e deixar o resto a cargo dos leitores. Importante: não faço parte da turma de fãs que defendem que tudo que vem do Japão é sagrado e intocável, portanto não vejo problemas em encontrar uma série brasileira usando conceitos típicos de séries super-sentai. O que me incomoda é ver um grande grupo criando uma SÉRIE que usa sem o menor pudor propriedade de terceiros, e que na pior das hipóteses, pode ser considerado como plágio.

Pra começar, vamos ao vídeo. Assistam, eu vou ali tomar um cafézinho e já volto:

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Viram? Então ignoremos por alguns momentos a péssima atuação (atores novos, etc. etc.) e vamos aos fatos:

A música de fundo, pra começar: Não sei se vocês já sacaram, mas o tema é do filme Guerra nas Estrelas[bb]. Ôpa. Música sob direitos autorais, eles foram autorizados a usar?

Mais à frente, temos os vilões, os Pecados Capitais. Reparem:

Encontrem o um anel

Onde já vi esses caras antes? Hmmmmm…..

Exato, são Nazguls, do Senhor dos Anéis[bb]. O líder tem uns chifres na cabeça, mas é só olhar com atenção: cópia. Mais uma vez: foram comprados os direitos, ou usaram o mesmo visual porque ‘acharam legal’?

Mais à frente, temos alguns clichês rápidos, típicos de séries japonesas. Em uma cena, os vilões tentam esmagar o herói com… pedras!

Esqueçam, não funciona desde o Spielvan.....

Logo depois, temos o herói com uma… espada laser de fogo!

Espadium Laser!

Mas o melhor ainda está por vir. Reparem no Tsebayoh, o herói principal da história:

Sério. Deêm uma boa olhada. Não se acanhem. Vamos lá, o que lembra? Não mintam, papai do céu não gosta!

Difícil? Deixa eu dar uma ajudinha….

Parecido, né? Agora, reparem na pose dos caras aí de cima. Agora… deêm uma olhada na pose de Tsebayoh, com um Cybercop, lado a lado:

Sério, chega a ser constrangedor. Até a pose é igual.

Então, em menos de dois minutos de vídeo, já temos: música de fundo de Star Wars, Nazguls do Senhor dos Anéis, e o protótipo cor de banana dos Cybercops. Mais uma vez, eu pergunto, compraram os direitos de uso? Ou foram jogando tudo o que vinha na cabeça e parecia ’super-legal’?

Quando me meti a fazer roteiros de histórias em quadrinhos e mangás, volta e meia trocava material com outros autores. Com o tempo, não foi difícil perceber que poucos entendiam a diferença entre ‘inspirar-se’ em algo e ‘plagiar’ algo. OU: Não há problemas em criar um mangá de artes marciais - o problema é resolver criar um mangá de artes marciais que envolve um garoto com rabo de macaco com poderes acima do normal, que descobre ser na verdade um alienígena, e achar que ninguém vai perceber que é plágio. E parece que foi esse o caminho que os produtores de Tsebayoh resolveram seguir.

O que torna isso tudo ainda pior é a origem da série: um grupo católico. Não deveriam ser eles a… sei lá, dar o exemplo de ética para nós?

Hancock não é um filme de super-herói

Graveheart julho 4, 2008

Pelo menos, não o tipo de filmes de super-herói que estamos acostumados a ver. Hancock é um filme sobre auto-aceitação, responsabilidades, destino, e muito mais.

Não nego, desde o momento em que vi a sinopse do filme (meses atrás) até segundo antes de entrar no cinema para a pré-estreia de Hancock, já imaginava que veria um filme paródia típico, um “o que aconteceria se Kal-el tivesse caído no Harlem”. E, até a metade do filme, essa visão parece ser a concreta, até que em um plot twist que fez a cabeça de muitos explodirem mudou por completo minhas expectativas sobre o filme. De um filme em que eu já conseguia prever todos os próximos passos do roteiro (e, convenhamos, isso é cada vez mais comum..), fui pêgo de surpresa e acabei preso na cadeira, tentando prestar atenção em cada detalhe, cada cena, cada diálogo, buscando entender até onde tudo aquilo levaria.

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