Imagine que você é uma garota normal de dez anos que, um belo dia, sofre um acidente e, embora escape com vida, entra em um estado de coma irreversível. Respira, desenvolve-se, possui todas as funções vitais, mas (provavelmente) nunca mais será capaz de acordar.
Nunca sentirá aquele friozinho na barriga, segundos antes do primeiro beijo. Nunca brigará feio com a mãe, por chegar às 4h da manhã daquela festinha. Nunca vai dormir abraçada ao travesseiro, chorando feito boba por aquele garoto que te trocou por outra. Nunca experimentará a vida em seu ápice. E, mesmo que um dia acorde, você será uma criança no corpo de um adulto. Terá 10 anos em sua cabeça, mas terá que aceitar a realidade de que agora tem 20, 30, 40 anos, e que passou a maior parte da vida deitada na cama, inerte. Tudo isso, pela irresponsabilidade de pessoas incompetentes e pouco preocupadas com a vida do próximo.


