GraveHeart no Nerdcast - The final blow!

OK, chegamos à última semana da minha campanha “GraveHeart no NerdCast já!“. Não posso dizer pelos emails que foram enviados ao site do Jovemnerd, mas se os pingbacks e comentários forem apenas esses, não posso exatamente considerar essa campanha um ’sucesso’. Como prometi, não vou ficar meses tocando no assunto, prefiro terminar toda a movimentação em torno dessa campanha nesse feriado de 15 de Novembro, antes que ela te torne lugar-comum e perca completamente a força.Mas, antes de encerrar de vez, resolvi partir para o ataque final, o momento máximo, a hora em que o herói desiste de só apanhar e retoma as energias para um último ataque final poderosíssimo, o momento da cobra fumar e da jiripoca piar. O momento de lembrar de um golpe que o mestre ensinou, e partir com tudo, ao som de uma música grudenta.Ou seja, vou apelar para a emoção de vocês. Acompanhem a triste história desse nerd.


Muita gente que ouviu falar sobre a campanha pode ter pensado “Ah, ele quer fama, fortuna, e destaque, só isso!”. Mas a verdade é que meus interesses são outros: O bom e velho papo entre amigos nerds. Coisa que eu já não tenho há alguns anos.

Explico: Como todo bom nerd, durante toda minha infância / adolescência fui uma pessoas (ainda mais) reclusa. Não era fácil conversar sobre novelas e fofocas da TV quando o que você mais queria conversar sobre quadrinhos, séries inteligentes, e coisas do tipo, sem parecer um maluco por ser ‘adulto’ e ainda gostar dessas coisas. Um belo dia, se não me engano em 1.999, saí da banca folheando um número qualquer da revista Holy Avenger, quando na seção de cartas, me deparei com uma carta muito bem redigida de uma pessoa que conclamava pretensos roteiristas / desenhistas a participarem de um projeto de fanzine.

Chamem de destino, sorte, o que quiserem, mas por algum motivo aquela carta me chamou a atenção, e resolvi entrar em contato com o autor dela. E nascia aí uma das minhas melhores amizades. As cartas que trocavámos, com idéias, pretensões, roteiros, sinopses de histórias, comentários, críticas, e outros, batiam fácil as dez páginas. Às vezes, escritas a punho. Nos encontramos poucas vezes, e por motivos mil, o fanzine não saiu. Mas a amizade ainda não havia morrido. Afinal, a Internet um campo fértil ainda, haviam sites que valiam milhões de reais, e dois pretensos escritores podiam encontrar ali um bom lugar para fazer crescer suas idéias. Foram mais alguns meses de conversas por cartas, emails, até que surgiu o convite de juntar a galera para participar do Animecon 2000. Entendam juntar a galera com “A minha turma percebeu que tá sobrando um espaço na casa, quer vir?”.

E lá estava eu: mal tinha um histórico de noites fora de casa, e estava aceitando dormir na casa EMPRESTADA de um AMIGO desse meu amigo, com mais umas seis pessoas, por três dias. E, mesmo que todos me dissessem que provavelmente eu seria fatiado, triturado, sequestrado, e servido ao demônio em um ritual macabro, mesmo assim resolvi partir para essa empreitada. E foram os melhores três dias da minha vida. Três dias dormindo no chão de uma casa muito engraçada, que não tinha teto, não tinha nada, almoçando e jantando junk food, mas passando horas em meio a exibições de anime, conversas sobre quadrinhos, sobre fanzines, jogando RPG. Aquelas pessoas que estavam ali acabariam por se tornar os meus melhores amigos.

Mesmo que fôssemos de cidades diferentes, sempre havia uma maneira de nos encontrarmos, para passarmos o dia tendo mais e mais conversas malucas sobre assuntos nerds. Qualquer evento de anime mequetrefe em SP era uma desculpa para um encontro da galera. Qualquer email tinha que ter trocentos parágrafos, comentando alguma coisa. E, assim, essa galera foi fazendo parte da minha vida, daquela maneira que não se esquece. Eles estiveram ao meu lado nos meus piores momentos, e vice-versa. Eles me deram ânimo para continuar tantas vezes, que seria difícil imaginar como seria se eu estivesse só. Ainda me lembro de quando estava depressivo em razão da pressão trabalho+faculdade e eu fui praticamente obrigado a passar um feriado com eles, tendo como único objetivo me divertir. Conversas por telefone não duravam menos do que três horas. Jogos de RPG viravam a noite. E, mesmo tendo desistido do fanzine, e do site, ainda éramos amigos. Amizades nérdicas costumam ser sinceras, e essas foram as melhores que já tive.

E alí estavámos nos eventos em 2001, 2002, 2003, 2004, 2005. A casa emprestada virou a “Pensão do Alberto para Otakus em eventos de anime”. Algumas vezes alguém faltava, ou ficava apenas poucos dias, mas em geral eram dias do ano que eu esperava mais do que o Natal. Mais do que o aniversário. Porque eram dias em que eu podia ser eu mesmo, e não mais uma pessoa normal dentro de um mundo onde quadrinhos são ‘gibis de criança’, ‘anime é desenhinho’ e qualquer um que não curta novela ou BBB é um desajustado. Infelizmente, aconteceu o que de pior poderia acontecer com qualquer amizade entre homens: Crescemos.

E, nesse crescimento, a turma foi aos poucos tomando caminhos distintos: faculdades, novos empregos (até em outros países), namoradas, casamentos, e tudo o mais que a vida adulta oferece. Com o tempo, não havia mais condições de fazer o famoso ‘juntar a galera’. Os horários não batiam mais. Ainda há amizade, o que simplesmente não há é tempo para fazer o que era feito antes.

Bom, e daí? E daí que, ao contrário dos muitos que ouvem o NerdCast apenas com a intenção de se divertir, eu ouço porque as conversas entre eles me lembram as conversas que eu tinha antes, com meus amigos. Cada risada, cada piada interna, cada referência que apenas alguns poucos pegam, é exatamente como era quando juntávamos a galera. Já me peguei ouvindo o programa antes de dormir e sem querer pensar em falar algo, como se eu estivesse ali, no meio deles, sentados numa roda conversando, enquanto alguns jogam Sega Saturno numa televisão de 14”. Como era, na pensão do Alberto.

Portanto, apesar de ter nascido como uma brincadeira no Twitter, a campanha ganhou tons sérios quando eu percebi que, mesmo que por alguns momentos, eu poderia ter esses sentimentos de volta. Quem sabe, até impulsionar a boa e velha galera para um reencontro.

E é o que eu peço a todos que ainda não participaram da campanha: ajudem-me a ter um novamente um gostinho daquela boa e velha conversa nerd. Para isso, sigam as instruções na página da campanha, e tenham a oportunidade de me ajudar E garantir uma boa hora de diversão ouvindo a minha pessoa conversando com os nerds do nerdcast.

Sem mais.

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Comentários

esse relato m lembra um pouco do Densha Otoko…

mas q nda… sucesso e boa sorte :D

Historia legal, parece um pouco com a minha(tirando o fato de eu ser mais novo e tal)

Se eu não tivesse participando, eu participava agora xD

Boa sorte \o

Seu relato foi tocante.

Acho que tenho sorte, pois não perdi meus amigos nerds, pelo menos não a maioria deles. Sempre que possível nos encontramos e jogamos nossas conversas sem sentido fora.

Claro, a cada ano cada vez menos sem tempo, mas sempre fazendo o possível pra não perder nossos momentos. =]

Grave, apesar de eu não ouvir o nerdcast, este post me inspirou e fez eu me ver a uns anos atraz (ah se minha ex-coleção de Dragão Brasil Falasse).

Aproveito e começo a tentar ouvir o nerdcast.

Abraços

Reforço chegando, fiz um post para te apoiar na campanha!

http://blog.brunofontes.net/2007/11/campanha-graveheart-no-nerdcast.html

Holy Avanger?!?!

Cara, tem uns cinco anos que não ouço falar nessa revista…que saudades daquele tempo

Desculpe não ter colaborado com a campanha, fiquei atarefado com algumas coisas e não deu tempo pra participar.

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