Jogos não lhe fazem chorar?

Publicado por: | Categorias Geek Life, Jogos | Tags , , , , | Publicado em: 17-12-2008

0



xenogears-sig-2.jpg

Dias atrás, me deparei com um texto interessante, que tratava de um assunto que já discuti muito: A Game Has Never Made you Cry (ou: Um jogo nunca fez você chorar). No texto, resumidamente, o autor sustenta que o que faz um jogador chorar são os recursos narrativos extra-jogo, e não o jogo em si. Ou seja: se ‘jogo’ pode ser definido como o sistema (pontuação, elementos na tela, objetivos, etc.), recursos como história, personagens, e ambientação não são parte do que podemos chamar de ‘jogo’,  portanto o ‘jogo’ em si não é o que faz as pessoas chorarem. Como exemplo, o autor cita o Wii Music, um ‘jogo’ que não possui um objetivo explicito (a não ser diversão), e também coloca que boa parte das cenas que os gamers citam como ‘emocionantes’ vem das cutscenes, e não do ambiente de jogo em si.

Ou seja: você chora quando a Aerith morre, não quando está no meio de uma batalha aleatória, ou montando matérias. E essas cenas são recursos extra-jogos. Logo, ‘jogos’ como sistemas não fazem chorar. Recursos dramáticos fazem.

Hmm….. discordo em alguns pontos.

final-fantasy4O sistema de jogo pode não levar um jogador a chorar, fato. Mas o jogo não é apenas o ’sistema’. É um conjunto de informações e mídias (som, gráficos, história, cutscenes, personagens, diálogos, etc.) que somados, formam um todo maior. E é esse todo maior que, se bem trabalhado, pode levar um jogador às lágrimas.

Primeiro: games são umas das poucas formas de mídia que garantem algo próximo de uma imersão total na história. Se eu leio um livro, preciso montar mentalmente as cenas, personagens, efeitos sonoros e tudo o mais, e não me sinto verdadeiramente como parte da história. Se eu leio uma história em quadrinhos,  a situação é praticamente a mesma com a diferença de que agora consigo enxergar os personagens, ver o que fazem, etc. – mas ainda não garantem que eu vá simpatizar com os personagens e eventos a ponto de chorar, já que ainda estou como um terceiro na história, um voyeur dos eventos (os mangás e suas speedlines dão um passo além disso, mas ainda não é o suficiente). Filmes e séries são os que chegam mais próximos dos games, por possuirem ambientação, trilha sonora, atuações, história e etc. – mas a não ser que o filme seja realmente MUITO BOM,  ainda somos meros telespectadores. Não  participamos efetivamente do que ocorre na tela.

Com jogos, a parada é mais embaixo. Você CONTROLA o(s) personagem(s). Define suas ações (em menor ou maior grau), precisa tomar decisões importantes que definirão o sucesso ou o fracasso da história. E, em alguns casos (como em JRPGs), pode passar até mais de 100 horas junto ao personagem, compartilhando com ele uma parte de uma história. Você não é mais um telespectador passivo. Você define quais os próximos passos e, em alguns casos, até mesmo as consequências de suas ações tem valor (como jogos de múltiplos finais, por exemplo).

final-fantasy-7-sephirothE nesse cenário, como não se envolver com jogos a ponto de se emocionar, tanto positivamente quanto negativamente? Voltando à Final Fantasy VII, quantos não passaram a jogar com o único intuito de derrotar o Sephiroth, logo após a morte da Aerith? E se fosse num filme, ou numa série, haveria a mesma comoção, a mesma vontade de continuar evoluindo na história para ver o vilão derrotado? Duvido. Muito. Agora, remova um elemento, qualquer que seja, do jogo. Qualquer um: música, personagens, ambientação, e até mesmo o sistema de jogo. Tente imaginar como seria, e perceba que dificilmente a sensação seria a mesma.

Vou mais além: Em Final Fantasy Crisis Core, um dos momentos mais emocionantes não está em um CG, ou em conversas entre personagens. É quando no final você CONTROLA o personagem em uma luta que ele NÃO PODE vencer.

Nesses momentos, acontece o que mais me impressiona em games: de repente, o sistema do jogo deixa de importar. Você sobe um novo degrau na imersão com o jogo, e passa a se preocupar mais com a história do que com a quantidade de pontos ou experiência. Inversão interessante, não?

Final Fantasy Crisis CoreLógico, nem todo jogo permite isso. Mas não é por existirem jogos que não permitem que o jogador se envolva a ponto de sentir algo pelos personagens que TODOS os jogos são incapazes de fazer o jogador se emocionar. Assim como nem todos os filmes são bons, ou nem todos os livros merecem ser lidos, ou assim como nem todas as histórias merecem ser contadas. Você não olha apenas para os filmes de ação e fala que falta romance no cinema americano. Você não olha para os livros de auto-ajuda e fala que falta aventura na literatura. E você não olha para jogos sem história e diz que jogos são incapazes de te emocionar a ponto de te fazer chorar. Ponto.

Para completar, uma lista breve de todos os jogos que em algum momentos me levaram às lágrimas:

- Final Fantasy VII – Pelos motivos já citados. :)

- Final Fantasy Crisis Core – De começo, não gostei muito da super-exposição à história original, mas conforme vamos progredindo no jogo (e nos afeiçoando ao personagens) o final trágico e inevitável vai apertando o coração.

- Final Fantasy X – O final… ah, o final… Quando você pensa que ALGO vai acontecer para que o final seja feliz, um abraço é negado… E com direito a um dos “high five” mais emocionante que já vi…

- Xenogears – Quando descobrimos sobre o passado dos protagonistas, em todas as vezes em que a mocinha se sacrificou pelo herói. Cena forte, impactante, e com reflexos no final.

- Shadow of Colossus – Você não sabe NADA sobre o protagonista, o jogo mal tem diálogos, e muito personagens. E você ainda estende a mão para tentar salvar o Aggro. O AGGRO, cacete!

E vocês, já choraram com algum game?

Posts Similares:

Compartilhe:
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • ueba
  • StumbleUpon
  • Technorati

Comentários (0)

Não cheguei a chorar, mas qualquer pessoa que tenha uma namorada sente o desespero do Dom lá pelo fim de Gears of War 2. Foi de apertar o coração, e olha que não é o tipo de jogo em que você esperaria conteúdo emocional.

Spoiler pra quem quiser ver:

http://www.youtube.com/watch?v=_lE03vrC9Rw

Explicando o contexto do vídeo com spoiler:

Ele esteve procurando pela mulher dele por anos durante a guerra. Boa parte dos dois jogos são dedicados a ilustrar a frustração e a saudade que ele sente pela mulher perdida e tal.

Os locusts, que são os monstrões inimigos no jogo, estiveram sequestrando humanos e torturando eles de forma tão absurda que eles se tornaram “zumbis”, praticamente com morte cerebral e tal.

Agora que paro pra pensar, não lembro qual foi a última vez que chorei. Não chorei nem quando meus pais se divorciaram…

Eu também quase chorei quando o cavalo do carinha do Shadow of Colossus cai no precipício. =(

E eu sempre achei que o nome dele fosse Adolf! O.o

Não é isso que ele grita quando chama ele? “Adolf!!!”

huahuhauahuahha ^^

Nunca chorei com um jogo, mas realmente existem muitos momentos emocionantes e para se emocionar não é necessário obrigatoriamente chorar.

O ponto falho da matéria que você citou é justamente se apoiar nessa tese de que a história não faz parte do jogo. Claro que faz, jogo principalmente por causa das histórias.

Aggroooooooo! Porra, quando o Aggro caiu me deu mesmo um nozinho na garganta, provavelmente pelo fato de eu ter uma relação muito emocional com bicho, não suporto ver bicho sofrendo.

Braid não me fez chorar nem nada, mas foi um jogo que me deixou meio passado quando eu terminei de jogar.

Ah! E teve também o cubinho do Portal. Pô, sacanagem ter que incinerá-lo! :-(

O bom é justamente curtir a história do jogo e interagir emocionalmente com ele. Raiva, alegria, tristeza, dor. Tudo é parte da história e você tem todo o direito de encarnar o personagem e sentir-se como ele, ou não.
Eu ri quando a Aeris morreu, fato. O mundo ficou mais divertido sem ela por perto.
Chorei muito durante a luta com Boss, em MGS3SE e bati continência, junto com o Big Boss, na cena em que ele está no túmulo dela.
No SOtC, eu bolei quando o Aggro caiu, achei do caralho o sacrifício que ele fez e fiquei PUTO com a garota por causa disso. Ela não valia a ferradura do cavalo.

Shadow of the Colossus. Absurdo. Não chorei quando o Agro morreu, mas fiquei baqueado. A gota caiu mesmo no final, sensacional. To pra ver outro jogo me deixar assim.

Pode nao parecer, mas quando o CJ descobre que o Ryder e o Smoke sao os caras que ocasionaram a morte da mae dele, me bateu uma revolta principalmente na hora que vc tem que resgatar o Swith (e esse o nome?) e quando vc chega ele leva um tiro no estomago.

Koeh, nem Shadow Of The Colossus nem Ico (que joguei com minha irmã). Muito menos um final fantasy tosco.

Uh, o Metal Gear Solid 3 tem toda aquela cena do tiro, achei foda, mas não bati continência ou coisa parecida. O Metal Gear Solid 2 foi melhor.

Eu só chorei jogando videogames que começam com M. Metal Slug 3.

Eu lembro de ter chorado muito com Bart Simpsons vs. Space Mutants, do Master System…

Mas é porque ele “dava pau” toda hora e eu tinha que começar tudo de novo.

Isso sem contar no único dinossauro que passava na travessia da cena do museu, que, se perdido, não passaria de novo, não importa quantas vidas eu tivesse…

pow…god of war 2
n cheguei a chora mas deu um aperto..

a hora q ele derrota a estatua..ai tah lah moh feliz distraido depois de derrota akele bixo chato…
ai puf cai a mão dela bem em cima dele…

ai ele quase morrendo tentando alcança a avalympus..

ai aparece zeus e mete a espada no torax dele e ele morre..

(e tem q nem o cara falo vc tem q fika q apertando X pra ele n enfia a espada..mas nem adianta…)ai ele da akele gemido..
gosto nem de lembra

Gears of War 2 , pelos motivos ja citados lá em cima.

Eu acho que o estado da mulher dele foi devido a inanição, além da tortura mesmo.Fazia tanto tempo que ela não comia(como pode-se ler naqueles documentos que se pega ao longo do jogo) , que ela ja estava quase sem cabelo, cega, e mal conseguia murmurar direito.

O que deu mais bolo na garganta foi o Dom falando com ela , e ela gemendo…cara que agonia…

Tadinha quando a Aeris morre no FFVII. Rsrs. Cara ruim o Seph (Mas bem que eu queria uma Masamune Blade igual a dele.Rsrs)

FFVII: Crisis Core já foi mencionado, e é curioso que nesse caso acontece justamente o que normalmente não ocorre, de boa parte da carga dramática estar na mecânica do jogo. Não é só estar numa luta para perder, mas aquela roleta de DMW ir aos poucos se esvaindo, uma lembrança de cada vez… ;_;

Kingdom Hearts tem dois momentos: um deles é o cg final, em que Sora e Kairi são separados. E outro é (um bocado antes) o sacrifício de Sora, que crava uma keyblade no próprio peito para recuperar o coração de Kairi.

Tô passando aqui rapidão apenas para te desejar um ótimo início de ano. Parabéns pelo blog e cada vez mais e mais sucesso neste ano que se inicia. Pode ter crtz que irei acompanhar seus posts em 2009.

god of war..pow agora q falaram em mulher do cara…

lembrei god of war…ele tentando salva a mulher e a filha de si mesmo…(soh quem jogo pra entende)…

ai no “final” do jogo ele comete suicidio…

ahh agora lebrei..
chorei de emoção quando kratos derrota aries…

aries- eu só fiz aquilo para te tornar um otimo guerreiro..

KRATOS- É E VOCE CONSIGUIU…POW

Cara, não joguei FF porque eu sei que vou viciar e ficar zilhares de horas jogando, mas tive o prazer de jogar Shadow of Colossus… de fato, o cavalo, Aggro, é nada mais, nada menos do que seu único amigo naquele vasto mundo de silêncio (praticamente).
Obrigado por esse post que me fez ver mais um lado bacana dos jogos…
Abraço

Mas o Agro não morre. No final, final mesmo, depois de todos os créditos, mostra que ele está com a pata quebrada, mas vivo. :D