E o Besouro quase avuou
Publicado por: graveheart | Categorias Filmes, Resenhas | Tags Besouro, Filmes, Resenhas | Publicado em: 21-10-2009
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Logo na primeira vez que vi o trailer de Besouro, já fiquei empolgado: era um filme brasileiro, com uma história que fugia totalmente do “favelados e bandidos que são apenas vítimas da sociedade” e do “classe média se mete em altas confusões”, argumentos típicos dos blockbusters nacionais. Tudo indicava que seria uma película de ação com boas doses de pancadaria, envolvendo figuras históricas do nosso país. Não nego, foi um dos primeiros filmes nacionais que aguardei ansiosamente pela estréia. E, graças aos ingressos cedidos pelo Trotta (que por sua vez foram cedidos pelo blog Melhores do Mundo), pude estar presente na pré-estreia.
E, infelizmente, como sempre acontece quando rola muita expectativa, o resultado foi abaixo do esperado.
A sinopse é simples: Besouro é um capoeirista na Bahia da década de 1920, que após o assassinato do seu mestre precisa reunir forças, crescer como pessoa, e liderar a luta contra a opressão do povo negro, que continua sendo tratado como um bando de animais, mesmo depois de quase 40 anos da abolição da escravatura. Tudo isso usando a capoeira e o misticismo da cultura negra, com os orixás e o candomblé. O plot básico de histórias de ação, vejam só. O problema é com a execução do plot: Besouro se vende nos trailers como um filme centrado em ação, e até começa como um filme típico de vingança + artes marciais que a Ásia produz às centenas todo ano. Mas do nada o diretor resolve fazer do filme algo mais contemplativo, com longas tomadas de paisagens entrecortadas por uma música baiana típica ou uma narração em off, tentando explicar a cena.
Ou seja, você vai no cinema achando que vai encarar um filme antigo do Jet Li e acaba vendo um filme do Kurosawa.
Até aí, nada demais. Ambas as vertentes do cinema são boas, e atendem públicos e gostos específicios. O complicado é tentar juntar ambas as formas de fazer cinema em um filme que tem menos de uma hora e meia de duração. Tudo o que diz respeito ao andamento da história é MUITO rápido, há cortes violentos na narrativa, vários subplots são inexplorados, e muita coisa que podia (e devia) ter sido melhor trabalhada fica de fora. Sacrificar uns dois ou três minutos das cenas em que Besouro incorpora um sapo debaixo d’água (assistam e vocês vão entender) e usá-los para explorar melhor a relação de amizade/rivalidade entre Besouro e Quero-Quero teria feito uma grande diferença.
E é justamente essa necessidade de agradar tanto o público ‘jovem’ quanto o público ‘intelectual’ que acaba fazendo o filme sacrificar a parte mais esperada: as cenas de luta. Os efeitos especiais estão perfeitos e a coreografia é impecável, que nada deixa a desejar se comparamos com os clássicos do cinema chinês. Mas, se pegarmos todas as cenas de luta, provavelmente teremos menos de cinco minutos de filme. O que é estranho: praticamente TODO o filme é Besouro se preparando para lutar contra os homens do Coronel – e você fica lá, esperando por algo épico, digno das grandes batalhas do cinema, e quando começa a tocar a música, e você acha que Besouro vai finalmente atingir o sétimo sentido, ultrapassar os limites de um supercapoeirista-jin normal, liberar o bankai e – insira aqui outras referências nerds -, o filme acaba.

Besouro voando. Se você já viu "O Tigre e o Dragão", vai pegar a referência. Mesmo que a cena na versão nacional dure dois segundos
É, isso mesmo: acaba sem uma luta final digna. Rola uma mensagem “a luta continua companheiro”, fica um clima “o bem vai vencer o mal e afastar o temporal” e sobem os créditos. Juro. E você fica ali, sabendo que TUDO o que faltava para o filme ser épico seriam mais uns quinze minutinhos de ação desenfreada.
A coisa é tão corrida que mesmo o golpe especial do Besouro (o ‘kaskaskarugen horizontal’, como apelidei) ficou em segundo plano. Rola um flashback de meio segundo mostrando que Besouro aprendeu o especial ainda criança, e ele usa. Pronto.
Isso torna o filme ruim? Não, assim como uma comida com pouco tempero não é necessariamente ruim. Simplesmente… falta algo para ficar bom.
A idéia de usar personagens históricos e a cultura do povo para fazer filmes de ação é ótima. Os asiáticos fazem isso há décadas, com resultados fantásticos. E há muitas histórias e personagens no nosso folclore que poderíamos explorar. Competência técnica para isso nós temos, como mostra Besouro. Só precisamos aprender a dosar o tempero para não ficar muito salgado, ou sem gosto.

Jet Li em "O mestre das armas" (Fearless) - Porrada, filosofia e tudo o mais misturado em um filme bem dosado, que empolga e emociona. Quem sabe um dia o Brasil faz algo assim....
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E o Besouro não avuou: [link to post]
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Opiniões do @graveheart sobre o filme de ontem. “E o Besouro não avuou”: [link to post] Agora falta o texto do @tucahernandes
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RT @graveheart E o Besouro não avuou: [link to post]
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Sacanagem viu… RT: @alex_lancaster: RT @graveheart E o Besouro não avuou: [link to post]
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RT @alex_lancaster: RT @graveheart E o Besouro não avuou: [link to post] < - uma pena, aliás. :
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O @trotta resumiu o filme Besouro em uma imagem. E atualizei meu post: [link to post]
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RT @mekaru: Sai primeiro review de Besouro: [link to post]
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Besouro: [link to post] by @graveheart
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[link to post] -> uma triste verdade =/
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Exatamente o que achei!RT @anacarolinars: [link to post] -> uma triste verdade =/
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