Todo funcionário tem um pouco de Michael Scott….
Jim has a great personality but doesn’t work hard. He finishes a project in 30 minutes while the same project takes all day for me to complete…
Essa frase, do penúltimo episódio de The Office, está ecoando já a algumas semanas na minha mente. Ela traduz exatamente o que venho presenciando no meu local de trabalho: a idéia de que levar mais tempo para completar uma tarefa é sinal de trabalho duro, e não de incompetência ou corpo mole….
Explico: com essa história de fiscalização, boa parte do trabalho está sendo dividida entre eu a turma do setor financeiro. A diferença é que, enquanto eu (sozinho) consigo fazer a minha parte em pouco tempo, o setor financeiro (com três pessoas ajudando), não consegue fazer a parte deles a tempo de me acompanhar, o que me deixa sem ter coisas pra fazer com relação ao arquivo, às vezes.
Pra piorar, o trabalho deles é pura e simplesmente pegar várias notas fiscais que não foram lançadas dentro do nosso sistema antigo (somente na contabilidade) e lançar em uma planilha simples que eu mesmo criei, e com todas as colunas bem explicadas. Percebam: o trabalho deles é fazer EXATAMENTE o que eles deveriam ter feito há dois anos atrás, mas não fizeram. E, justamente por fazer corpo mole, catimbar, valorizar um trabalho que é tão simples que poderia ser concluído por macacos, a chefia vê que ELES estão fazendo a parte mais importante.
Dane-se se eu estou fazendo todo o resto, e ainda por cima tenho que arrumar o que eles lançam errado, e ainda por cima consigo fazer isso em menos tempo. O fato de eu ter que esperar eles pararem de falar mal da vida alheia para começar a trabalhar é prova incontestável de que eu trabalho menos do que eles, e pronto.
E, assim, as coisas vão caminhando. Eles, justamente por estarem ‘valorizados’, podem deixar de fazer qualquer outra coisa, sem problemas, e ainda por cima não podem ser cobrador por mim. Eu, se atrasar cinco minutos a troca do toner, levo esporro. “Mas… ninguém lá sabe fazer isso?”, vocês devem estar se perguntando. Sim, sabem. Mas, como disse uma menina: “Não é a minha obrigação. É sua.”
Hoje é dia típico em que eu gostaria de sumir.
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By Lu, junho 19, 2007 @
E eu que pensava que só o serviço público sofria desse mal de “valorizar” trabalhos simples…
By Graveheart, junho 19, 2007 @
Não, é em todo lugar.
Na verdade, isso vem da idéia ridícula de que ‘vender o peixe’ é mais importante do que saber pescar. A partir do momento em que foi difundido o conceito de que valorizar o que se faz é uma das principais plataformas para subir na carreira, as pessoas começaram a se preocupar mais com o falar, do que com o fazer. E aí encaramos as aberrações de hoje em dia, atendente de motel achando que é a força-motriz da empresa.
Com o serviço público o buraco é mais embaixo, mas no fim é basicamente a mesma coisa. Uns trabalham para outros levarem o crédito.