4 coisas que Kenshin Himura me ensinou

6 de janeiro de 2009

Homem racional que sou, nunca fui de acreditar em questões espirituais ou religiosas, muito embora acabe por vezes impressionado com certas ‘coincidências’ que ocorrem na minha vida. Uma dessas é quase sempre ler um mangá, assistir um filme, ouvir uma música ou qualquer outra coisa que resolvi ver sem qualquer aviso prévio do que viria, e descobrir que alguma parte da história ou música é EXATAMENTE o que eu precisava ver, quase como uma resposta vinda de algum lugar, direto para mim.

Um desses momentos é justamente uma edição do mangá Rurouni Kenshin[bb], já quase no final da série, que acabei lendo em um momento pessoal complicado. E, como já disse, tudo o que estava lá era o que eu precisava  no momento. Coincidência ou não, relembrando hoje é incrível como aquelas poucas páginas me tocaram e mudaram muito do que poderia ter sido da minha vida.

E é justamente a descrição desses momentos, assim como o que aprendi com os mesmos, que compartilho com vocês agora. Segurei esse texto por muito tempo, por achá-lo pessoal demais, ‘viajado’ demais, e até mesmo um tanto quanto ‘bobo’ (“uau! você tirou lições de moral de uma história em quadrinhos?”). Mas no final das contas aproveitei que estamos em clima de final de ano, época de parar para avaliar nossas vidas, para publicar esse texto. Talvez, faça alguma diferença para alguém. Assim como fez para mim…

Antes de mais nada, vamos situar os personagens (e você sempre pode saber mais sobre Rurouni Kenshin na santa Wikipedia):

ATENÇÃO: SPOILERS DAQUI EM DIANTE.

- Kenshin: personagem principal da série, um samurai que depois de lutar na revolução Meiji jurou nunca mais matar. O mote principal da série é justamente seu passado, e como esse juramento afeta sua vida; Nesse capítulo ele está em meio a uma crise de depressão: depois de (supostamente) não conseguir salvar a vida da mulher que amava (a segunda mulher que amava), Kenshin desiste da vida, sela a espada e vai viver no vilarejo dos Párias, um local onde vivem os excluídos da sociedade. Todos tentam de alguma forma tirá-lo de lá, mas tudo o que ele diz a todos é “Já chega…”

- Yahiko: Garoto orfão, filho de samurais, é ‘adotado’ por Kenshin e Kaoru, e começa a treinar o estilo Kamiya Kassin. No começo dessa saga ele percebe que é incapaz de acompanhar Kenshin e Sanosuke nas lutas, ficando sempre atrás deles. Decide então tornar-se um mestre no estilo Kassin, desejando um dia estar lado a lado com seus amigos, e não atrás, vendo apenas as costas deles. Nesse capítulo, ele resolve que deve proteger as pessoas, assim como Kenshin fazia, até que o mesmo consiga sair da depressão.

- Kujiranami: Um ex-samurai gigante que possui um ódio mortal contra Kenshin – No passado, ele teve o braço decepado pelo herói, que preferiu não matá-lo. Kujiranami considerou que Kenshin não matá-lo era uma humilhação acima de qualquer possível, e passou a viver em torno de uma vingança. Nesse capítulo, Kujiranami escapa da prisão, rouba um lançador de granadas que pode ser acoplado ao braço, e sai destruindo toda a cidade, atrás de Kenshin.

- Tsubame: uma garota que faz o papel de interesse romântico do Yahiko. Tem pouca importância na história, mas nesse capítulo possui um papel especial.

A história até o momento: Kenshin virou emo, Sanosuke foi resolver umas pendências de família, e todo o resto do grupo foi investigar o paradeiro de Enishi, vilão que causou todos os problemas a Kenshin nessa saga. Enquanto isso, Kujiranami foge da prisão, e começa a destruir geral com um lançador de granadas acoplado no braço. E o único que pode detê-lo é Yahiko.

Aqui começa o primeiro momento importante para mim, praticamente um soco no estômago: Kujiranami é um gigante, com uma arma ignorante no braço, e fora de controle. E Yahiko é um garoto. Todos sabem que luta dificilmente será vencida pelo jovem, mas ele percebe que, se recuar e fugir, nunca será capaz de deixar de ver as costas de Kenshin. Ele precisa encarar o vilão da maneira que puder, se puder crescer como guerreiro, e ajudar as pessoas, assim como Kenshin faz.

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Assim, Yahiko resolve usar a técnica “travessia da lâmina”, que permite prender a arma do inimigo com as mãos e atacar aproveitando o momento. Uma jogada arriscada, quase mortal, mas necessária.

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Esse momento é importante para mim. Aqui, aprendi que, se você tem um objetivo claro, e quer realmente alcançá-lo, deve estar preparado para enfrentar de frente qualquer obstáculo, não importa o tamanho do mesmo. – Lembre-se disso, quando você estiver com dúvidas sobre que caminho tomar: nem sempre o caminho mais fácil o levará até onde você quer.

Infelizmente, o contra-ataque de Yahiko não é forte o  suficiente, e o mesmo acaba sendo ferido pelo Kujiranami, ficando próximo da morte.

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Enquanto isso: Kenshin tá lá, na vila dos Párias, ouvindo Fresno[bb] e relembrando todas as feridas do passado, quando a súbita chegada de Tsubame, pedindo para que ele ajude Yahiko de alguma forma. Kenshin começa a mostrar sinais de que está saindo da depressão…

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A partir daí, algo muda em Kenshin. Embora ainda no seu estado depressivo, a voz da Tsubame, pedindo ajuda para Yahiko, continua martelando nosso herói. E, embora ele mesmo admita que já devia ter desistido, a vontade de ajudar Yahiko ainda bate em seu peito. É nesse momento que o velhinho que ficava perto de Kenshin (e que todo leitor sabe quem é, mas a gente não fala pra parecer cool) comenta que o Vilarejo dos Párias é um local não para quem perdeu tudo, mas para quem largou tudo. E diz também que, ao contrário do que Kenshin dizia sobre ainda não ter encontrado o que ainda lhe restava, sua mão (que segurava firmemente a espada) era quem tinha a resposta para suas dúvidas: a espada, que ele deveria usar para proteger as pessoas, até o fim da vida.

Aqui, mais um ponto importante da história: Kenshin finalmente percebe remove todas as dúvidas da mente e arrebenta a corrente que selava a espada. Espada essa que ele mesmo havia selado, como forma de evitar novas lutas. A mensagem está explicita no texto: “Quando você acha que perdeu tudo e está cansado de corpo e alma: se há um pensamento ou sentimento que, por menor que seja, que você não consegue jogar fora ou abandonar, então essa é a sua verdade.” Simples, mas profundo. E verdadeiro. Não é perder tudo que te derruba. É esquecer daquilo que você acredita.

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E corta para Tsubame, jogada no chão, em desespero, chamando Yahiko e Kenshin. Do nada, uma lufada de vento, e Tsubame olha para trás, primeiro com espanto, logo depois com incontida felicidade. Não é preciso dizer o que houve. O espadachim voltou.

Essa foi uma das mais importantes lições, que pude comprovar perto da época em que li o mangá. “Não importa o quão mal você esteja, há pessoas que esperam sua volta, que precisam do seu retorno, e nada mais do que isso. E saber que você está bem (e apenas isso) as fará bem.

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E chegamos ao final. Yahiko já está quase morto, nas mãos de Kujiranami, e não há mais tempo para evitar o último ataque? Não? É justamente aí que Kenshin chega, já usando uma das suas técnicas mais poderosas (o Kuzu-ry?sen, para os curiosos)Após a nova derrota, Kujiranami volta à sanidade, e pede novamente para que Kenshin o mate. Yahiko faz um belo discurso mostrando como o ódio de Kujiranami pelo ex-samurai Kenshin não gerou nada de bom, e como as coisas poderiam ser diferentes se o samurai gigante aceitasse a vida, ao invés da morte.

14-15-2 Aqui, o ensinamento mais importante: “Se o problema é grande, e o tempo é curto, não perca tempo – o melhor é já chegar com os dois pés no peito!

O resto, recorrendo a um clichê, é história… É difícil explicar tão brevemente o que o tornou essas cenas tão impactantes, já que seria necessário mostrar a fundo todas as motivações dos personagens, e isso leva tempo. Tempo esse que vocês aproveitariam melhor lendo a série. :) O que importa no final das contas é o que aprendi lendo esse trecho do mangá, e o que eu espero agora conseguir compartilhar com vocês. Em 2009, enfrente seus desafios de frente; Não se esqueça da sua verdade mais preciosa; Lembre de estar na vida das pessoas que se importam com você; E, o mais importante:

Meta o pé no peito. Sempre. :)

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Nenhum Comentário »

  • Dinho disse:

    Normalmente quando eu leio Rurouni Kenshin… sempre tenho energias para correr atrás das coisas..

    esse personagem para mim não é um mero desenho em um papel.. e sim algo que serve para alguns como força.. como alento….

    da mesma forma que você encarou o Kenshin como “alguem que lhe guiou em um momento difícil”, eu encaro o Yusuke da mesma forma… ainda mais agora que recentemente terminei de ler o mangá do yu yu hakusho…

    nossa… antes de ler o mangá o desenho era o meu favorito.. mas agora depois de ter lido o mangá… vi que realmente é algo mais…

    outra pessoa que eu gosto muito é o Hyuuga Neji, pois ele também “me auxilia” em alguns momentos meus de depre..

    bom.. é isso aew… espero não ter me alongado mto..

    abraços e até a próxima.

  • Emilio disse:

    Me bateu uma saudade dessa época, em que eu lia o Rurouni, mesmo no formatinho meio vagabundo da jbc.

    Eu acho que tudo o que já aprendi nesta vida eu vi em filmes, livros, séries, comics, mangás e animes. Se a vida tiver mais coisas, eu não me preocupo: logo elas viram filme, hehehe.

  • Timóteo disse:

    Kenshin, Yusuku, Yoh (shaman king) são excelentes personagens =p

    Adoro a frase do Yoh “Pra tudo se dá um jeito”. E o melhor é que não se trata do jeitinho brasileiro de resolver as coisas hehe.

    Excelente texto, parece até completar com o que eu escutei ao fechar Metal Gear no psx.

    A Dr. Naomi falando que não importa o que nosso dna nos diz sobre destino, e outras coisas, o importante mesmo e escolher vida, e viver.

  • Rafael disse:

    Cara, quem é o velhinho mesmo? não to lembrado…!

  • Dinho disse:

    é o sogro do kenshin.. ou se preferir.. pai do Enish… ou ainda… pai da Tomoe (axo q é Tomoe..hehehe)


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