Começou com um papinho simples agora há
Começou com um papinho simples, agora há pouco. Uma daquelas conversas sobre o nada, enquanto o café está quente e o chefe não chega.
De repente, eu finalmente solto que escrevo para revistas e já tive duas matérias publicadas no site da Herói (como free-lance, deixo bem claro…). Risadas de duas garotas. Muitas, muitas risadas. Gente achando que é mentira. Gente perguntando sobre o que escrevi. De repente, começam os papinhos sobre “gibizinho” e “desenhinho”. Eu, tentando explicar da forma mais séria possível, que desenho japonês não é, necessariamente, infantil. A mais velha do grupo pede maiores detalhes. Ela sabe que não sou de mentir. Mesmo assim, o “preconceito” é visivel. Perguntam sobre grana. Não dou valores, mas digo que como free lance eu não tenho do que reclamar. Mais comentários. Dessa vez, em tom de “Se ele pode, até eu posso….”
Continuo explicando sobre o que escrevo, pra quem escrevo, onde escrevo. Mais risadas. “Po-ké-mon”, as duas garotas dizem em tom de desdenho. Eu continuo explicando. Uma das garotas, a que menos parece estar acreditando em mim, fala, em tom de desafio: “Qual é o site onde você escreveu mesmo, Paulo?”. Dou o endereço do site da Herói. (enquanto isso, o telefone toca. Meu chefe, pedindo ajuda com um e-mail) Ajudo as duas a encontrar o texto do Blood: the Last Vampire. Saio, para atender meu chefe, e deixo as duas lendo. Antes de sair, o riso delas vai diminuindo enquanto vão lendo. A mais velha faz um comentário, para o qual eu simplesmente respondo, antes de sair: “Enquanto eu estiver recebendo e fazer o que gosto, podem rir o quanto quiser. Pelo menos, não estou escrevendo sobre novela ou pagode pra menininha deslumbrada” (o que é verdade, de um certo ponto de vista…).
Volto pra sala. O silêncio impera. Uma das garotas agora me olha com um certo respeito. A outra, nada fala. Mas evita me olhar. Eu dou o assunto por encerrado. Agora, elas sabem que o cara que senta naquela mesinha cheia de tutoriais sobre Linux e outras tranqueiras não é mais um “gordinho engraçado”. Sabem que julgar alguém pela aparência ou pelo pouco que deixa transparecer é um erro grave, e perigoso.
Eu me dou por satisfeito. Continuo meu trabalho, assim como minha vida. A alma, lavada. O coração, se fosse permitido, apaixonado.
- Textos Relacionados
- Cara…… Acabo de descobrir que o coordenador
- Ah filhos da puta da área comercial aqui
- Tive que trabalhar na sexta, como um mon
- Raiva: Ver duas amigas se ferrando
- RTFM!!!!!!!
Se você gostou deste post, escreva um comentário e/ou cadastre-se em nosso feed.

Comentários
Ainda não há comentários.
Desculpe, este post está fechado para comentários.