Flávia, uma vida em coma

23 de abril de 2008

Imagine que você é uma garota normal de dez anos que, um belo dia, sofre um acidente e, embora escape com vida, entra em um estado de coma irreversível. Respira, desenvolve-se, possui todas as funções vitais, mas (provavelmente) nunca mais será capaz de acordar.

Nunca sentirá aquele friozinho na barriga, segundos antes do primeiro beijo. Nunca brigará feio com a mãe, por chegar às 4h da manhã daquela festinha. Nunca vai dormir abraçada ao travesseiro, chorando feito boba por aquele garoto que te trocou por outra. Nunca experimentará a vida em seu ápice. E, mesmo que um dia acorde, você será uma criança no corpo de um adulto. Terá 10 anos em sua cabeça, mas terá que aceitar a realidade de que agora tem 20, 30, 40 anos, e que passou a maior parte da vida deitada na cama, inerte. Tudo isso, pela irresponsabilidade de pessoas incompetentes e pouco preocupadas com a vida do próximo.

Triste, não? Pois essa é a realidade de Flávia, que há 10 anos vive em coma, vitima de uma piscina com ralo super-dimensionado, ou seja, com a tamanho muitas vezes maior do que seria seguro. Ao nadar na piscina do prédio em que morava com a mãe, Flávia teve os cabelos sugados pelo ralo, ficando um tempo considerável presa debaixo d’água. Embora tenha sido resgatada a tempo para sobreviver, o acidente a deixou em um estado de coma considerado irreversível pelos médicos. Nesse tempo, Odete, mãe de Flávia, engajou-se em um processo que já se arrasta há 9 anos em nossa sempre morosa justiça contra os responsáveis, assim como projetos que visam evitar que novos acidentes causados por piscinas mal projetadas aconteçam. Nesse meio tempo, criou um blog, para contar sobre a vida da filha, assim como detalhar a batalha que vive na justiça. Vale a visita.

É díficil imaginar toda a dor que essa mãe sente. Não tenho filhos, mas tenho dois adoráveis sobrinhos, irmãos, uma namorada que amo, amigos e pais, e imagino a dor que seria perder um deles, ou vê-los passar por todo esse sofrimento. Assim, nada mais correto que atender o pedido do blog Plástico Bolha, e comentar sobre o assunto. Afinal, quanto mais gente conhecer a história, e repassar para parentes, amigos e colegas de trabalho, maior será o barulho em torno do caso, e, provavelmente, mais medidas de segurança serão obrigatoriamente criadas para evitar que tenhamos novos casos como esse.

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