O acidente com o avião da TAM em Congonhas, e a fragilidade da vida
Se tem uma coisa que acaba com meu dia é quando anunciam acidente grave, de qualquer tipo.
Sempre imagino as pessoas que estavam lá. O que pensavam? O que começaram a pensar, quando viram o que estava para acontecer? Teriam se lembrado de todas as pendências, todas as coisas que podiam ter feito e foram deixando pra trás? Teriam se arrependido de alguma briga, uma bobagem dita fora de hora?
E, logo depois, lembro que, no meio dos que morreram, pode estar um amigo, um parente. E o aperto no coração é forte, chega a doer. Percebo que sou negligente com muitas das pessoas. Aquele telefonema que vivo adiando, aquele email que pode esperar. E se… e se eu nunca mais puder ver a pessoa? Valeu a pena ter deixado de perder uns poucos minutos para entrar em contato com ela?
Tantos pensamentos, que fica difícil pensar em outra coisa. Conheço umas duas pessoas que trabalham em Congonhas, uma delas já foi uma grande amiga. E ela se enquadra justamente no caso acima, o da pessoa que eu me importo, mas que procrastino o contato. Se arrependimento matasse, eu já teria ido dessa pra melhor….
Peter David, um ótimo escritor e roteirista de quadrinhos, certa vez usou uma analogia interessante para tragédias como essa, em que muitas vidas se perdem, e é difícil conceber a quantidade:
Pegue várias moedas, de um centavo. Vá fazendo uma pilha, colocando uma moeda para cada pessoa que morreu. Perceba a pilha de moedas crescendo mais e mais. Ao final, perceba o tamanho da pilha. Veja como ela está alta.
Agora, pense que, para cada uma dessas moedas existir, foi necessário um pequeno milagre, que gerasse vida. Imagine esse vida crescendo, se desenvolvendo, conhecendo outras vidas, possuindo sonhos, desejos, amores. Imagine que cada uma dessas vidas poderia ter mudado um sem-número de outras vidas, de forma positiva.
Perceba que cada uma dessas moedas é, no final das contas, uma vida que acabou. Olhe novamente para a pilha. Perceba que são todas vidas que se foram.
Eu sempre faço isso, mentalmente. E é impossível não se sentir mal com as notícias que vão chegando. Até o momento, ninguém se salvou. O número de moedas/vidas só vêm crescendo….
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Fiquei sabendo do acidente da forma mais sinistra: um contato meu, via orkut, mandou uma mensagem geral agradecendo a preocupação dos amigos e informando que não estava no vôo… eu nem sabia que ele poderia estar, mesmo assim fiquei chocada ao ler o recado.