O machão covarde - Como reagir a uma agressão física ou psicológica

Certas coisas você pensa que nunca vai acontecer com alguem próximo a você, até que vai lá e acontece.
Hoje, uma menina daqui da empresa, que faltou ontem e não deu notícias, apareceu no meio da manhã com o rosto todo inchado e com alguns machucados. Ela só quis falar com a supervisora dela e do RH, mas em pouco tempo a notícia já tinha se alastrado: O ex havia batido nela. E ela havia faltado pois estava com o rosto machucado, e não sabia o que fazer. Com isso, e acionando a gerência, a empresa achou melhor dar todo o apoio necessário a ela e dar alguns dias de folga remunerada, para que fossem feitos todos os acertos necessários (denúncias, BO, troca de fechaduras da casa, etc.).
Eu mesmo só vi a menina de relance, e num primeiro momento, ao longe, achei que era só um problema nos dentes (já que a bochecha estava bem inchada). Só chegando mais perto pude ver uma parte do estrago, e mesmo assim muito pouco, pois ela estava encobrindo o rosto o tanto que podia.
Muitos machistas podem estar lendo isso agora, imaginando a cena, e pensando “Bom, ela pode ter feito algo para merecer essa surra“. OK, mas nada justifica o que aconteceu com ela. Não quando ela pesa menos que a minha coxa, e o ex é lutador de vale-tudo. Numa situação como essas, a única palavra para descrever o caso é covardia. E, ainda pior do que a agressão física, é a psicológica. Essa menina provavelmente passará muitos dias com medo da própria sombra….
E, o que é pior: se aquelas são feridas visíveis, só consigo imaginar as que não podem ser notadas à primeira vista. Sim, estou falando de abuso. A mulher toma um soco, cai, e fica sem reação. O que um covarde desses faria depois? Na verdade, a simples especulação é tão desumana que nem mesmo comentei com ninguém por aqui….
Não pude fazer muito, além de seguir a orientação do RH de retirar algumas informações do sistema (o cadastro de funcionários contém dados como endereço e telefone dos mesmos) e só. Pensando nisso, comecei a percorrer algumas páginas, tentando saber o que fazer numa situação dessas. As dicas abaixo foram pescadas aqui e ali, e podem ser úteis para qualquer mulher, mesmo que ainda não tenham sofrido qualquer violência. Como são dicas importantes, a republicação do texto abaixo é livre, e encorajado, não sendo necessário linkar para esse blog, caso não deseje. O importante é que as dicas se espalhem, cubram um espaço significativo na internet:
- O melhor lugar para tratar casos de agressão (física ou psicológica) é em centros especializados em agressão à mulher. É comum a mulher se dirigir à uma delegacia ‘comum’, mas isso não é o mais recomendado, já que, num ambiente tipicamente masculino, ela pode acabar se sentindo intimidada, ou até mesmo não receber o tratamento adequado. Nas assim chamadas “Delegacias da Mulher” o tratamento é diferenciado, com a ajuda de mulheres especializadas nesse tipo de assunto. O site do Governo Federal disponibiliza uma página com endereços de delegacias e centros especiais em várias cidades do país;
- Tenha sempre em mente que, se alguém bate em você uma vez, e você não faz, ele pode bater de novo, e com cada vez mais força. A sensação de impunidade gera tranquilidade no agressor, e ele pode se sentir livre para continuar agredindo. Esqueça essas coisas de ‘foi só uma vez, é porque ele estava com problemas no trabalho’ ou ‘Ah, mas ele só fica assim quando bebe’. Se você foi agredida, procure ajuda.
- Da mesma forma, jamais sofra sozinha, ou tente manter os problemas dentro de casa. Procure ajuda, vá a centros especializados, converse com parentes e amigas, faça o possível para resolver o problema ao invés de sofrer calada.
- Nunca encare uma agressão como uma punição por algo que você fez (mesmo que haja motivo, vá lá). Existem centenas de milhares de maneiras de se resolver um problema e ‘punir’ um erro, e poucas envolvem agressão física a pessoas mais fracas.
- Sempre é útil a mulher possuir algum treinamento em auto-defesa, mesmo que básica. Às vezes pode até não impedir o primeiro golpe, mas tendo conhecimento de como reagir, pode evitar outros ataques. Existem centros em vários pontos do país que ensinam como reagir nesses casos, e mesmo um treinamento básico em kung-fu e kickboxing já podem ser úteis. (sabem o estrago que uma cotovelada no nariz faz?);
- Se você conhece alguém que foi agredida, evite o impulso inicial de simplesmente dar uma surra no agressor. Embora num primeiro momento a idéia pareça boa, se ficar simplesmente nisso o que pode acontecer é o agressor voltar com mais raiva, ou armado. O ideal é deixar isso com a polícia (que sabe MUITO BEM como tratar gente que bate em mulheres e crianças) e a justiça, que pode e deve criar dispositivos que mantenham o agressor afastado da vítima. O ideal é fazer o possível para ajudar a pessoa agredida. Acompanhe-a a uma delegacia, ofereça sua casa para ela passar um tempo, passe um tempo com ela, conversando.
- Denuncie, sempre. Se ainda existem covardes agindo, é pela mais pura falta de denúncias.
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excelente post, com muitas dicas e informações tanto para as mulheres quanto para os homens, lamentável o fato que ocorreu com ela e que ocorre com milhares de mulheres …