O nome dela é Sarah Tem 17 anos e curte

O nome dela é Sarah. Tem 17 anos, e curte Paulo Coelho e longos duelos de Bilhar no Yahoo Games. Para ela, a vida não é fácil, mas temos que ser felizes com o que temos.

Tal descrição não seria nem mesmo digna de nota nesse blog se a Sarah não fosse do Irã, e se não tivéssemos nos conhecido durante uma partidinha de bilhar virtual na pausa do almoço do meu trabalho. Ela pareceu eufórica quando eu disse que era “from Brazil”, no meu inglês fraco. Quis conhecer detalhes daqui, das pessoas que aqui vivem, da minha vida. Acabou me fazendo baixar o Yahoo Messenger para continuarmos conversando. Passei as últimas horas do trabalho conversando com uma garota de outro país, tentando me fazer compreender com meu inglês de pré-escola, e descobrindo que ela já leu mais livros de Paulo Coelho do que muitos brasileiros. Inclusive, adora “Brida”, e disse que não acreditava quando eu falei que o autor ainda estava vivo. Disse que viria para o Brasil só para conhecê-lo. Pediu que eu explicasse melhor o conceito de “Almas Gêmeas”, ou “Twin Souls”.

“It’s a person who makes you happy only because he exists…”, digo, no meu inglês que faria a Dona Fátima, minha professora de inglês da faculdade, pular do prédio, com desgosto.

Sarah adorou a definição que eu dei. E diz que sente-se sozinha, porque nunca encontrou sua “Twin Soul”. Digo que uma vez pensei ter encontrado, mas que fui “betrayed”.(riam! riam à vontade! Tenho culpa se aprendi inglês jogando RPG eletrônico porque meus pais nunca me pagaram um curso?)

Trocamos curiosidades sobre nossos idiomas. Foi dificil descobrir os livros do Paulo Coelho que ela já leu, pois tinhamos antes que passar o título para o inglês, ou ficar descrevendo as histórias. Descubro como se diz “Meu amigo” na lingua dela, e ela se espanta com o fato de que em português as palavras podem mudar conforme o gênero da pessoa. Pergunto-lhe que outra coisa ela gostaria de saber em português,. e ela conta que o pai dela acredita que a primeira coisa que devemos aprender em outra lingua é “I love you”. Aprendo como dizer que gosto de uma pessoa na lingua dela (todos esses dados, inclusive o nome do idioma dela, ficaram no trabalho. Lembrem-me de postar aqui na semana que vem…), e ensino como é em português.

Chega a hora de ir embora. Ela diz que queria continuar conversando. Eu digo que preciso estudar. Ela me pede para não esquecê-la, e se despede. Ao chegar em casa, de noite, encontro um e-mail dela, dizendo que adorou conhecer um amigo do Brasil…. Na dúvida, baixei o yahoo messenger aqui em casa também. Consegui conversar muito pouco com ela, graças ao fuso horário. Mas acho que poderemos conversar mais depois, se meu inglês cooperar.

Aqui seria, pelo menos a príncipio, o parágrafo onde eu faria um comentário idiota, terminaria com um “=P” e daria o caso por encerrado. Mas… é estranho como eu sempre tento tirar uma importante lição das coisas malucas que acontecem comigo, e isso não foge à regra…. Sarah parece ser uma pessoa legal, mas é carente. Sofre por amor. Acha que nunca vai encontrar a pessoa certa. A “Twin Soul”. Sarah. Uma pessoa do outro lado do planeta (bom, nem tanto…..), que me faz pensar na vida, nos meus problemas, e na minha probabilidade de encontrar a minha “Twin Soul”. “Você tem que tentar sempre, até achar. Então achará também a felicidade”, ela diz quando eu digo que a busca pela “alma gêmea” só me traz tristeza.

Sarah…. Não consigo ainda tirar uma conclusão de tudo o que ela representa. Mas ela me faz pensar. Até pela maluquice do fato. Mas, talvez, uma ou outra pessoa leia isso (bom, espero que uma em especial leia…) e tire alguma importante lição disso tudo. Ou, simplesmente, fique com as palavras dela ecoando no cérebro, martelando as idéias.

“Você tem que tentar sempre, até achar”….

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