You lose…
Hoje perdi uma das batalhas mais importantes da minha vida. Lutei como pude, com todas as minhas armas disponíveis, e mais algumas que improvisei na hora, mas não foi o suficiente. Simplesmente…. não foi o suficiente.
E com isso a minha estagiária deixou de trabalhar. Saiu na hora do almoço, quando todo mundo estava se preparando para tirar uma foto da “equipe”, para os donos da empresa mostrarem a “felicidade” dos seus funcionários. Eu, ao fundo, os olhos vermelhos, engolindo a dor da derrota. Não almocei, me tranquei no banheiro, sentei no chão, e fiquei lá, quieto.
As pessoas foram descobrindo aos poucos a saída da menina. Uma ligação aqui, uma pergunta ali, todas foram se chocando, se chateando, sentindo-se mal. E eu nada conseguia dizer. Não sabia como dizer que, se eu tivesse lutado mais, se eu tivesse me esforçado um pouco mais em mostrar a importância daquela garota para a área de informática, ela talvez estivesse ali, como uma funcionária contratada. Mas não, tudo o que eu conseguia fazer era dar de ombros. E ficar de cabeça baixa.
Queria que a vida fosse como os mangás shonen que eu leio. O herói vence, sempre. Apanha, sofre, chega ao seu limite, mas vence. Sempre vence. E a vitória tem um sabor ainda maior, porque ele não luta por ele, mas pelos outros.
Mas a vida não é um mangá. A vida é definida por valores monetários, e não valores morais. Não importa o quanto se prove que uma única pessoa não pode cuidar de uma empresa com mais de 50 computadores, contando suporte aos usuários, administração dos servidores, desenvolvimento de sistemas e projetos afins. Se o faturamento está baixo, não há como provar o óbvio, aos olhos dos chefes. Eles só veêm lucros baixos. Veêm números, e não pessoas. Veêm estatísticas, e não sonhos. Veêm cifrões, e não amizades.
Não me despedi da estagiária, quando tive a chance. As palavras não saiam. E ainda não saem. Não as palavras que eu gostaria de poder falar. Não as palavras que eu PRECISAVA falar para os infelizes sócios-diretores da minha empresa.
Não saiu nenhuma palavra. O dia todo.
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“O mundo é como você o vê.” Ditado Indiano. O mundo é certo ou errado na sua visão de certo ou errado. Quem faz o que esta errado, vê um mundo errado e, assim, acha que esta agindo certo. Alguns filósofos podiam dizer que, sendo assim, não existe bem e mal, não existe certo e errado, cima e baixo …
Cascata. Balela, bazofia, desculpa para viver a vida sem responsabilidades de uma maneira torta e sem culpa. O mundo é como você o vê, e, sendo assim, sua visão distorcida e egocêntrica de mundo gera um mundo torpe e vil. Se, por outro lado, você esta ao lado do que é bom e justo, “com a luz e com os anjos” como dizia a música, então você vê um mundo melhor e que precisa ser consertado. E isso se faz simplesmente vendo e vivendo do jeito certo.
Isso pode até não parecer heróico, mas se dirigir um carro a trezentos por hora por satisfação pessoal e se esborrachar numa curva te transforma em herói, qual é o nome que se dá àquele que sabe o preço que viver da maneira correta cobra todos os dias de quem o faz, e que paga esse preço sem pensar duas vezes?
Talvez não seja herói alguém assim, não no sentido que se dá à palavra, de alguém capaz de salvar o mundo com UM único ato grandioso, mas que é alguém que muda o mundo todos os dias para a melhor, através de sua visão, isso ele é, sem dúvida.